04.09.2010
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Nas cordas

Publicado 11.10.2006

O desempenho do presidente e candidato Lula no debate promovido pela Rede Bandeirantes reforçou a impressão de que Luiz Inácio Lula da Silva é despreparado para continuar a nos governar, tanto quanto o é para debater as questões nacionais.

Ficou evidente que o personagem que dirige a nação nunca se preparou para exercer função de tamanha responsabilidade e, só, sem seus auxiliares para soprar, com eficiência, as palavras que deve proferir; desorientou-se e partiu para a fala vazia e desconexa.

Articulado pelos cordões que movimentam marionetes, Lula até que se saía bem quando os puxadores dos cordões estavam no palco dos discursos e o movimentavam, com destreza, de um lado para o outro, e eles, como ventríloquos, diziam o que queriam.

Infelizmente para Lula, seus companheiros embaraçaram-se nos cordões e se enforcaram sucessivamente. Com a queda de José Dirceu, hábil e experiente manipulador de massas, as peças do dominó caíram e não restou ninguém para fazer o papel principal.

No debate, Lula ficou acuado por não poder falar com a desenvoltura que possui para encantar pobres e necessitados que o aplaudem em troca de comida e promessas. Desnorteado pela pergunta que o Brasil inteiro faz: "Lula, de onde veio o dinheiro para a compra do dossiê?" e sem ajuda de ninguém, o candidato retirou os óculos de grife, ruborizou as faces, fez careta e tergiversou; não respondeu. Como numa luta de box, o fígado foi atingido e minou suas resistências no primeiro minuto do primeiro round, desfazendo as esperanças de sucesso no segundo turno das eleições. Da brecha aberta no supercílio esquerdo escorreu o líquido vermelho que a oposição falava que o faria sangrar. Foi desvendada a metáfora. Lula está sangrando.

A passividade que esperavam de Geraldo, o pugilista, transformou-se numa saraivada de perguntas que não davam tempo para os segundos se aproximarem. Se o fizessem, seria para jogar a toalha. Não jogaram, deixando o presidente entregue à sanha das câmeras implacáveis: cada gesto, cada tremor, cada pedido de socorro estampado na face de quem não consegue encontrar a saída. Não havia viva alma que pudesse mexer os cordões de um lado para o outro, ensinando o caminho. Agora, o candidato tem que receber as informações nos intervalos e desenvolver o raciocínio com presteza, no meio de pancada para todos os lados. Não é fácil.

Mas, tudo poderia ser diferente se Lula tivesse conduzido seu governo dentro dos parâmetros que lhes foram traçados pela vida dura que levou até a idade adulta. Se os companheiros escolhidos para auxiliá-lo, na tarefa de conduzir os destinos do País, tivessem a mesma formação moral do operário, é possível que não passássemos pela tragédia que nos assola. Nunca, em tempo algum da história do Brasil, houve tantos escândalos. E não adianta o candidato afirmar que pune os acusados. Seu discurso cai no vazio do desconhecimento; os pobres e necessitados, acolhidos nos muitos programas sociais criados ou rebatizados pelo governo, não assistem à televisão ou ouvem rádio. Acordam na madrugada para trabalhar ou procurar serviço nas periferias das cidades; e não podem ficar acordados para assistir a debates. Já os eleitores dos vários matizes da classe média não acreditam em suas palavras. Esses eleitores já conhecem a verdade que desnudou os meandros da corrupção e do desrespeito à inteligência das pessoas.

Ainda assistiremos a outros debates e poderemos avaliar os programas de cada candidato. É razoável supor que nas metas de Alckmin existam pontos para o presidente questionar; no entanto, enquanto Lula não contar de onde veio o saco de dinheiro estampado nos jornais, não poderá ser ajudado pelos puxadores dos seus cordões. Quando as urnas do segundo turno forem abertas, a diferença de votos entre Lula de Alckmin não mais existirá, e o povo brasileiro verá a vitória da probidade sobre a corrupção; sem medo. Será outro soco na cara de pau.

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