Frei Antônio das Chagas; Lisboa; Século 19. “Que esbofeteava esqueletos diante de assustadas platéias em suas homilias, recriminando o que tinham feito quando cobertos de carne e pele”.
O TEMPO
Deus pede estrita conta do meu tempo
E eu vou do meu tempo dar-lhe conta
Mas como dar, sem tempo, tanta conta
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo
Para ter minha conta feita a tempo
O tempo me foi dado e não fiz conta
Não quis, sobrando tempo, fazer conta
Hoje quero acertar conta e não há tempo
Ó vós que tendes tempo sem ter conta
Não gasteis vosso tempo em passa-tempo
Cuidai, enquanto é tempo, de vossa conta
Pois aqueles que sem conta gastam o tempo
Quando o tempo chegar de prestar contas
Chorarão, como eu, o não ter tempo.
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