Cerca de 1,8 mil brasileiros foram deportados dos Estados Unidos por terem cometido "crimes menores", pelos quais podem ter pagado um preço exagerado, denunciou a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.
A estatística é uma das conclusões que sustentam a crítica da organização a uma legislação que começou a vigorar em 1997, tornando automática a expulsão de estrangeiros que cometeram delitos no país.
No total, estima-se que cerca de 434 mil pessoas deportadas nos últimos dez anos foram expulsas dos Estados Unidos por ofensas que não são consideradas graves.
Segundo a Human Rights Watch, a lei é "cruel" e fere os direitos humanos: destrói famílias ao separar imigrantes legais que não têm cidadania americana de parentes que são americanos.
Em um relatório divulgado nesta semana, a ONG exemplifica o excessivo rigor das autoridades dos EUA com casos como o de um homem (de nacionalidade não-identificada) que teve de se separar de suas três crianças por roubar um frasco de colírio no valor de dez dólares.
"As leis não são apenas cruéis em sua rigidez, elas não fazem o menor sentido", disse a pesquisadora sênior do programa para os Estados Unidos da Human Rights Watch e autora do relatório, Alison Parker.
"Como você explica para uma criança que o pai dela foi mandado para milhares de quilômetros de distância e não poderá jamais retornar para casa simplesmente porque falsificou um cheque?"
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