Carla Nascimento
cnascimento@redegazeta.com.br
O empresário Jerônimo Brum, 47, passou 11 anos nos Estados Unidos e chegou mais longe que a maioria dos imigrantes: conquistou a cidadania americana e criou uma companhia de revestimentos em mármore e granito na Flórida. Mas o sucesso do capixaba foi interrompido pela crise econômica do outro lado da América. Ele, assim como tantos outros brasileiros, decidiu voltar para casa. Surpreso, o empresário descobriu que o sonho americano, hoje, está mais próximo de se tornar realidade no Brasil.
"Nos últimos seis meses o volume de trabalho foi declinando e tive que dispensar trabalhadores. Além disso, meus filhos já estavam morando aqui (no Brasil) e o dólar está baixo. Decidi voltar", diz. Agora, ele só quer saber de recomeçar. "Estou trazendo minhas máquinas e equipamentos para continuar atuando. O mercado imobiliário está valorizado demais no Espírito Santo. Mas tenho medo, acho que corremos o risco de passar por uma crise. É preciso ter critério antes de conceder crédito habitacional", alerta.
Ele lembra que, no início, ninguém reclamava. O financiamento imobiliário era concedido sem embaraço para americanos, estrangeiros e até para imigrantes ilegais. Muitos investiram o que ganharam em imóveis, e hoje, vêem o valor do seu patrimônio despencar.
Novo cenário
Com a crise, funções até então valorizadas nos Estados Unidos, como as da construção civil, passaram a pagar baixos salários - assim como no Brasil. Demissões aconteceram. Para lidar com a situação, o Centro do Imigrante Brasileiro, nos Estados Unidos, há duas semanas criou um serviço até então improvável: o Banco de Empregos, que já conta com 20 currículos. A "terra das oportunidades" passou a não ser mais tão acolhedora. O drama dos 1,2 milhões de brasileiros que moram nos Estados Unidos ficou ainda maior com a valorização do real frente ao dólar. Mandar dinheiro para casa já não tem mais o mesmo valor.
Novo mercado
Pablo Maia, brasileiro e dono de uma imobiliária na Flórida, acompanhou de perto a formação da crise. "Nos últimos dois anos vendemos mais de 500 casas e apartamentos e 90% dos compradores eram brasileiros. Com a crise, só na minha empresa a inadimplência chegou a cerca de 70%", conta. Mas Pablo está otimista e diz que seu público agora é outro. "Tenho certeza que isso vai passar. A hora de comprar imóvel é agora, porque o preço caiu muito. Estou vendendo mais para americanos e chineses", explica.
Crise na América
" Com o dólar desvalorizado e a crise, as pessoas estão voltando em massa para o Brasil, sem alcançar seus objetivos. O sonho americano está acabando"
Celiomar Pereira de Oliveira 33 anos, eletricista
"Avalio essa crise como uma locomotiva que vai parando aos poucos. Ela ainda vai declinar até parar completamente. Depois irá recuperar a velocidade aos poucos"
Jerônimo Brum 47 anos, empresário
Menos ilegais
17.910
Esse foi o número de brasileiros que conseguiram o Green Card em 2006. Esse número vem crescendo regularmente: foram 16.664 em 2005; 10.556 em 2004; 6.331 em 2003; 9.439 em 2002; 9.448 em 2001; 6. 943 em 2000
7.028
Esse é o número de brasileiros que se naturalizaram americanos em 2006. Isso representa 1,4% do total de estrangeiros naturalizados, que foi de 1,2 milhão. Em 2005 foram 4.583 e em 2004 esse número foi de apenas 4.074
0800 para imigrante brasileiro
Um número de telefone gratuito pode ser a solução para brasileiros que vivem no exterior, mas sofrem com a falta de informação e com o idioma estrangeiro. O projeto, de autoria do deputado federal Neucimar Fraga (PL-ES), está sendo avaliado pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. O deputado explica que a intenção é facilitar a comunicação com o imigrante em diversos países, sobretudo, os Estados Unidos. "Isso vai facilitar a vida até de quem não domina a língua estrangeira e precisa de alguma orientação. Acredito que os maiores beneficiados sejam os que estão na ilegalidade, que muitas vezes são presos pela Imigração e não sabem a quem recorrer", diz.
Aposta no mercado capixaba
O gerente comercial Edson Ferreira, 45, passou 20 anos de sua vida nos Estados Unidos. Ele conta que foi com a intenção de voltar logo, mas mudou de idéia. "Fui para trabalhar, ganhar dinheiro e voltar para casa, como todo mundo. Mas, na época, a situação era tão boa que valia a pena ficar por lá", conta.
Edson - que começou como imigrante ilegal e só conseguiu o Green Card em 2001 - foi mais longe do que a maioria dos brasileiros naquele país. Ele conseguiu estudar, cursar um MBA em Finanças e ter um bom emprego em solo norte-americano.
Ele trabalhava em um banco, no setor de títulos imobiliários. Foi graças ao contato com o mercado financeiro que Edson previu a crise imobiliária antes de ela se instalar e decidiu voltar para sua terra natal.
De volta ao Brasil, ele se tornou gerente comercial de uma imobiliária e compara as duas realidades. "Provavelmente eu não seria afetado diretamente porque morava no Texas, onde não houve desvalorização imobiliária. Mas uma crise sempre se espalha para vários setores. Eu sabia que se lá o mercado imobiliário não estava bom, no Espírito Santo a situação era diferente".
"Por aqui, a previsão de crescimento para o setor imobiliário é para os próximos dez anos, ao contrário de lá"
Edson Ferreira 45 anos, gerente comercial, voltou para o Estado e agora trabalha em uma imobiliária
Estado é o terceiro em migração para os EUA
Carla Nascimento
cnascimento@redegazeta.com.br
O Espírito Santo só perde para Minas Gerais e Goiás quando o assunto é migração para os Estados Unidos, segundo o deputado federal Neucimar Fraga, que participa de uma comissão sobre imigração na Câmara. Entre os municípios destacam-se Pancas, Alto Rio Novo, Mantenópolis, Água Doce, Barra de São Francisco e Baixo Guandu. "Cerca de 80% dessas pessoas entram no país de forma ilegal", estima, já que não há números oficiais sobre o assunto.
O chefe de gabinete da Prefeitura de Mantenópolis, Carlos Almondes, calcula que aproximadamente três mil moradores da cidade estão fora do país. Mas a maioria já não vai mais para os Estados Unidos.
"Antes, era normal ver 15 pessoas por semana indo para lá. Eles saíam de forma ilegal, de todo o jeito. Mas isso diminuiu muito. No último final de semana foram apenas três. Acredito que 70% estão indo para a Europa. O euro está mais valorizado que o dólar e o idioma é mais parecido com o do Brasil".
A gerente da empresa de intercâmbio World Study, Carol Pandini, confirma que o fascínio exercido pelos Estados Unidos também caiu com a crise. Além da Europa, a dificuldade para conseguir visto tem feito muitas pessoas procurarem o vizinho na América do Norte: o Canadá.
Comunidade
O eletricista Celiomar Pereira de Oliveira, 33, foi para os Estados Unidos pela primeira vez há 11 anos e logo encontrou uma comunidade com moradores da sua cidade natal: Mantenópolis.
"Fui com visto de turista e acabei ficando. Há quatro anos consegui o Green Card. Meu objetivo era voltar após três ou quatro anos, mas quando houve a alta do dólar compensava ficar por lá. Cheguei a comprar dois imóveis. Mas agora, com a crise, é mau negócio vender".
Ele explica que ainda deve 30% do valor do apartamento e 60% da casa. "Minha sorte é que comprei por um bom preço. Mas conheço pessoas que estão em uma situação muito pior", diz ele, que por enquanto não pretende voltar.
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Fonte: Jornal A Gazeta
Leia aqui no site do jornal A Gazeta a matéria de Carla Nascimento em sua íntegra.
Comentários
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Lendo a publicação acima " sonho ameicano + distante " lembro do meu sonho americano dar certo e muito certo.Acredito que o sonho americano está um pouco + distante hoje em dia, será passageiro e não pode ser generalizado. Crise sempre tem em qualquer lugar do mundo dependendo do segmento e do momento, pelo menos no USA existem condições básicas para uma familia poder viver e até planejar o futuro. Parece que o Brasil é a "bola da vez ", quem sabe daqui alguns anos...
Não podemos deixar de passar boas informações para nossos jovens que desejam sair para conher o mundo la fora, seja para australia,europa ou usa. Conhecer é parte de um sonho, abre horizontes. Eu tive um sonho americano, tive a oportunidade de ficar 8 anos nos usa, aprendi diversas coisas,experiência tenho inúmeras, muito trabalho,dedicação, obtive meu green card, trabahei com empresa americana, fui chef de cozinha, aprendi a lingua, melhor aprendi 02 idiomas ( espanhol e inglês ). Aprendi a dar valor para o trabalho o que eh uma pena ter que ver isto em outro pais. Valeu muito ,tive sim um sonho americano. Atualmente sou cidadão americano , consegui o sonho tão desejado de muitos imigrantes que passam o resto de suas vidas na insegurança de serem deportados e sempre trabahando em sub empregos, o meu senho americano se realizou com a volta para o brasil. Trabalhei desde 1991 na terra prometida, meu nome sempre foi trabalho,dedicação e um objetivo muito forte, ou seja, aprender a trabalhar. Retornei para o Brasil em 1998, atualmente tenho uma empresa dentro da industria grafica e personlizamos os famosos ímãs de geladeira para todo o brasil. Somos pioneiros no brasil com muita criatividade em nossos trabalhos. Tenho muito agradecer ao estagio de vida que tive no exterior,mesmo não me capitalizando no USA, tive um grande sonho americano, este sonho me deu a experiênia,humildade e o poder de perceber que a maior riqueza é o poder do nosso trabalho. Em breve estarei lançando o meu livro detalhando momentos de minha vida, um sonho americano da minha maneira.
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