04.09.2010
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Missão para estadista

Publicado 29.11.2006

A negociação que o presidente Lula desenvolve para viabilizar seu novo mandato esbarrava na coerente posição do presidente do PMDB Michel Temer que exigia ser convidado como representante do partido e, também, na figura de Roberto Jefferson, presidente do PTB.

Temer preparou o terreno para impor as diretrizes que poderão levar o partido a aderir ao governo. A exigência de Temer acatada por Lula, foi realizada institucionalmente, com pauta previamente discutida e na presença de alguns líderes do PMDB. A reunião realizada na quarta-feira foi esvaziada pela recusa dos senadores Renan Calheiros e José Sarney, que sustentam a governabilidade do governo petista há muito tempo e não aceitaram ser rebocados por Temer, que sempre se colocou na oposição

Quanto ao ex-deputado Roberto Jefferson, a questão é, ainda, mais complexa. Jefferson, presidente do PTB, conta com o auxílio de seu amigo senador eleito Fernando Collor que apoiou Lula na disputa pela reeleição, mas não admite abandonar um dos poucos parlamentares que ficaram na linha de frente em defesa do seu mandato presidencial. A gratidão de Collor pode ser fundamental para que Jefferson volte a cantar de galo no governo Lula.

As reuniões políticas que o presidente Lula conduz são as mais importantes entre as que pretende realizar com outros setores da sociedade, sabendo que encontrará a resistência que não teve durante a campanha eleitoral.

No período de campanha, dentre as instituições que estiveram à frente da democratização do Brasil, das eleições diretas e livres, do afastamento de Collor e da defesa dos cofres públicos, somente a Ordem dos Advogados do Brasil permaneceu na luta pela transparência dos atos governamentais e questionou, da trincheira da ética na política, a lisura dos procedimentos dos dirigentes petistas.

Agora, garantida a reeleição do presidente Lula, os movimentos sociais retornam com suas reivindicações, e a CNBB retoma suas críticas às ações populistas do governo. Parece que havia uma trégua para reeleger Lula e garantir a tranqüilidade das eleições e a democracia. O silêncio e a omissão das entidades, no esclarecimento do eleitor, favoreceram a campanha do presidente e acobertaram a falta de compromisso com o futuro da população, com ética e a moral pública. Não fosse a insistente propaganda veiculada pelo Tribunal Superior Eleitoral, sob o comando do incansável ministro Marco Aurélio, os eleitores não seriam orientados sobre a forma de como escolher os pretendentes aos cargos eletivos, por não saberem da existência dos demais candidatos. Os votos destinados à oposição levaram a eleição para o segundo turno e obrigaram o candidato-presidente a se expor.

É verdade que, não fosse o abandono a que foi submetido o candidato Geraldo Alckmin e a destreza dos marqueteiros de Lula na manipulação de frases de efeito, teríamos uma disputa mais justa. O certo é que Lula foi reeleito e a democracia se fortaleceu. Assim, mesmo os que se opõem ao governo ficam esperançosos que as mudanças sejam radicais, e a escolha dos novos dirigentes escolhidos por Lula possa trazer caminhos seguros para a população.

Barrada a corrupção desenfreada, evitadas as nomeações de incompetentes e consolidada a intenção de unir forças, é possível até que as investigações que apuram as atividades criminosas do primeiro período sejam concluídas e os responsáveis punidos pelos atos ilícitos cometidos.

O que se espera é que o presidente Lula, livre das amarras petistas, forme um governo com pessoas de destaque na sociedade, mesmo que não consiga agregar a oposição - por ser saudável para a democracia – que deverá permanecer no seu papel de fiscal dos atos do governo. E, se o presidente Lula não conseguir o seu intento de reunir forças para o novo mandato, voltando a ser influenciado por seus antigos companheiros, como pretende o deputado cassado José Dirceu, continuaremos a ter um presidente forte com um governo medíocre.

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