09.02.2010
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A Espada de Dâmocles

Publicado 23.05.2006

O poderoso Rei de Siracusa, a mais rica cidade da Sicilia, Dionísio (432-367 a.C), vivia num luxuoso palácio rodeado por guardas e empregados prontos à atender a todas as suas ordens e satisfazer todos os seus desejos. Ele comandava o império com poderes absolutos. Sua palavra era lei – uma ordem a ser cumprida sem questionamento.Acontece que, um de seus melhores amigos, Dâmocles, vivia afirmando que ele, como tinha o destino do povo em suas mãos,era o homem mais feliz da terra.Cansado de tanto ouvir a mesma conversa, desafiou o seu súdito à vivenciar,por um único dia,todas as regalias de um reinado invejável.

Aceita a proposta, Dâmocles, colocou as vestes reais,recebeu o cetro e a coroa de ouro e foi apresentado à todos como o novo monarca.Para consolidar a sua autoridade o novo rei ordenou a preparação de um grande banquete, com a presença dos mais ilustres convidados. Assim foi feito.Durante a belíssima festa Dâmocles foi saborear o vinho da mais antiga safra existente na adega,levou o copo aos lábios,inclinou a cabeça para trás e, como se tivesse visto um fantasma,empalideceu.Ele viu uma brilhante e pontiaguda espada direcionada para a sua testa, segura apenas por um fio de crina de cavalo.Ninguém poderia vê-la,somente quem estivesse sentado no trono real. Enquanto ele tremia de medo,o verdadeiro rei gargalhava a sua frente.Como sobre um mesmo fato as pessoas podem ter percepções completamente diferentes entendemos que, em vários aspectos, a humanidade caminha sob a “espada de Dâmocles”.

Apesar das descobertas científicas e das inovações tecnológicas das últimas décadas, a sociedade continua a negar qualidade de vida à maior parte da população mundial. Causa? Ineficiência de políticas públicas que assegurem educação e saúde de excelente qualidade à população. Responsáveis? Parte da classe política que usa o cargo apenas em benefício próprio. Efeitos? A perversa desigualdade de distribuição de renda, geradora da pobreza que,segundo Mahatma Gandhi (1869-1948), é a mais cruel das violências.A discriminação,o preconceito e o desrespeito aos mais elementares princípios de cidadania, são ainda uma vergonhosa evidência no nosso cotidiano.

A avanço da informalidade no mundo dos negócios, fonte do maior império do planeta – o Quarto Setor – algo em torno de 13 trilhões de dólares. A crescente violência mundial. A falta de isonomia salarial entre homens e mulheres, quando na mesma função. Agressão ambiental. O desencanto de cerca de 500 milhões de desempregados no mundo. A corrupção e o tráfico de drogas.Acentuado descompasso entre o desenvolvimento econômico e a geração de condições mínimas e dignas à população. A nossa postura democrática nas reações, mas autocrática nas ações.A insistência de conquistar a paz fazendo guerras. O equivoco cometido pelo homem ao distanciar-se de Deus.

Há soluções para esses problemas? Sim. Elas dependem de ações compartilhadas entre os poderes constituídos, a classe empresarial,ONGs e a responsabilidade de cada um de nós. Estruturação familiar e relacionamento interpessoal respeitoso.Planejamento educacional que ofereça oportunidades (iguais) para que o ser humano possa relevar e desenvolver competências técnicas e habilidades ecléticas. Conduta ética de cada um de nós. Preservar a capacidade de nos indignar, e agir, diante das injustiças sociais.No campo da espiritualidade a solução está na vivência dos dois mandamentos mais importantes contidos nos Livros Sagrados – amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo.

Quanto ao mundo dos negócios a tendência é que, no futuro, existam apenas dois tipos de organizações, independentemente de porte e segmento, “aquelas que se apaixonaram em se reinventarem, e aquelas que estarão agonizando agarradas as suas ultrapassadas certezas”.

Luzia Neide Coriolano
01.02.2008 19:22 [ 1 ]

excelente. Adorei.

ivone
02.03.2008 11:54 [ 2 ]

todos nós vivemos entre espadas visíveis e invisíveis

Al
30.04.2008 13:13 [ 3 ]

Não há crase na expressão "prontos à atender" na segunda linha do texto.

SERGIO
30.04.2008 17:00 [ 4 ]

A "espada" que poderemos enfrentar na cidade de SP,a partir de agora, é voltar a se falar do passado e este tem um nome: Quércia. Será que caminharemos para o passado ou teremos coragem para enfrentar o futuro ? E este também tem um nome: é aquele apoiado pelo governo Lula. Ou será que voltaremos a Inflacao, confusao financeira, e etc. que os "mestres da economia" já nos meteraam no passado ? O Serra já disse que quer modificar a economia, que o plano atual está errado, etc. Que os deuses nos livrem deste "genio"...

WALTER RIEVRS
16.07.2008 17:22 [ 5 ]

É BEM IDIOSSINCRÁSICO ESSE SENTIMENTO. ASSUMIR O LUGAR DO OUTRO, NA SUA DIFICULADE OU NA SUA EXUBERÂNCIA OPULENTA, ALGO QUE NOS REMETE A AUTOCATARSE, DEMANDA UMA PURIFICAÇÃO DO NOSSO ESPÍRITO. É BEM UTÓPICO O ATINGIMENTO DESSA SUPERAÇÃO, OU NÃO!!!

celmo damasceno
05.12.2008 14:14 [ 6 ]

Muito significante essa parábola antiga,veslumbra a responsabilidade de se governar, com carinho e obdiencia as necessidades básicas do ser humano. Quanto mais o poder mais a responsabilidade, um unico erro pode levar tudo a perder. infelizmente não é o que assistimos no meio político.

Beto Dalla Valle
22.07.2009 17:47 [ 7 ]

Engendrado e articulado texto, reflexivo e trazendo à baila uma antiga e desconhecida estória SICILIANA, uma anedota bem humorada sobre o PODER. Termino, dizendo que: Themis, deusa da justiça, possui em uma das mãos a libra (balança); para na outra ostentar a espada. A balança figura, leve e delicadamente, propositadamente e suavemente, pendendo para um lado; já a espada, se encontra tocando o solo em sinal conectividade com o plano terrestre e tudo aquilo que é peculiar ao ser humano....grato e um grande abraço......

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Crise e oportunidade

“Já ouvi várias vezes dos gurus de plantão que 'em chinês, o ideograma para crise é composto dos símbolos de perigo e oportunidade'. Há pessoas, que repetem isso sem pensar ou sequer param para pesquisar, e ficam procurando oportunidades em crises, quando deviam é estar preparadas e prevenir-se contra as mesmas. CRISE é CRISE, e OPORTUNIDADE é OPORTUNIDADE até em chinês. Na realidade, o símbolo para 'crise' (wēi) em mandarim (língua chinesa) é composto de wēi (perigo) e (momento), e todos lá no oriente temem uma crise, do mesmo modo que por aqui no ocidente. Oportunidade em mandarim é 'jīhuì' "

— Dr.Tony Fontoura, D.D., Ph.D.

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