Vivendo em Brasília há quase quarenta anos e frequentando o Congresso Nacional com assiduidade, tive a grata surpresa de constatar o interesse dos brasileiros em conhecer a estrutura e a história da Casa do Povo.
Nesses dias, recebi família amiga residente em São Paulo. O casal tem dois filhos adolescentes e praticantes de skate. Pela internet, os jovens investigaram os locais onde poderiam encontrar as melhores pistas da Capital Federal. Na feliz missão de mostrar as maravilhas de Brasília, no sábado, saí pela cidade apontando, em detalhes, cada canto. No Cruzeiro, encontramos a primeira quadra esportiva. Uma lástima: piso destroçado, pistas sem manutenção, ferros retorcidos espalhados para todos os lados. Sob as árvores, pais e mães acompanhavam as ousadas evoluções das crianças. Todos reclamam do descaso das autoridades, e dizem não ter a quem cobrar.
Em nova tentativa, partimos para o Guará. No Cave, encontramos uma quadra muito boa com equipamentos de boa qualidade, e muitos jovens, disputando a melhor performance. Foram algumas horas de alegria na companhia dos futuros administradores das cidades brasilienses. Eles não querem muito: desejam que as quadras tenham manutenção correta e permanente. Não é difícil para um bom administrador criar alternativas para que os jovens não sejam cooptados por marginais, dedicando-se às atividades esportivas. Programas sociais são a melhor saída para livrar jovens das drogas e da criminalidade. O Cave oferece isso, só que estão faltando algumas árvores e bancos para o conforto dos pais, que ficam expostos ao sol inclemente e a poeira sem fim, mas já está ótimo!
Visitamos o Memorial JK, a Feira dos Importados, a Torre de Televisão, o Pontão, a Rodoviária – com direito a pastel e caldo de cana –, o Museu da República com a belíssima exposição de Lúcio Costa - o criador da cidade, a maquete de Brasília patrocinada pelo governo espanhol, campeão do mundo em turismo e futebol, a Biblioteca Nacional e o estranho circo instalado, sem nenhuma cerimônia, na área Patrimônio Cultural da Humanidade. A Catedral estava fechada.
Fomos, por curiosidade, em seu último dia, à aldeia indígena importada sabe-se lá de onde. Um horror! Felizmente, logo que saímos, a polícia executou ordem judicial para limpar a área. Talvez, agora, o IPHAN proíba, de vez, a instalação de qualquer outro invasor, mesmo que órgão público, pois, afinal, se os donos originais das terras de além- mar não podem ocupar indiscriminadamente a área do Eixo Monumental, ninguém mais poderá fazê-lo. Sábia decisão das autoridades públicas. – Vamos esperar para ver o que acontece - disse eu aos meus convidados. Não acreditaram que a solução seja definitiva.
No domingo, bem cedo, partimos para novos descobrimentos: a Feira do Guará, as obras da Estrada Parque até Taguatinga, a Nova York brasiliense, Águas Claras com seus prédios tocando o Céu, suas ruas estreitas e trânsito infernal, e, finalmente, a Praça dos Três Poderes.
A reforma da praça está sendo concluída com a colocação das últimas pedras portuguesas. Não entramos no Panteão dos Heróis Nacionais que também está sendo reformado. O Palácio do Planalto, com sua cerca metálica, desarmoniza a concepção original. Só o Supremo Tribunal estava livre e solto sobre suas colunas imponentes.
Está na hora do Governo do Distrito Federal criar uma secretaria especial de preservação da área tombada, inclusive para garantir a questão estética dos equipamentos públicos e privados. A praça é do povo, e ele estava lá; passeando, fotografando e aproveitando o céu azul e o horizonte livre.
Na visita ao Congresso Nacional, vi, surpreso, uma multidão esperando a vez para seguir o orientador da visita às dependências do Poder Legislativo. A apresentação é excelente, pecando somente pela fala politizada do funcionário que, inadvertidamente, fazia comentários irônicos sobre o comportamento de alguns membros do Parlamento, provocando a platéia, que, respeitosa, se calava.
De todos os comentários, o único que recebeu a aprovação do público foi com relação às imagens primárias ou “naif” de monumentos e da bandeira nacional reproduzidas, por sucção de um aspirador de pó, no carpete do plenário do Senado Federal. Ninguém gostou da obra exposta há anos num dos mais importantes locais do país. Saímos felizes em saber que a democracia está cada vez mais forte. Fomos até a Catedral, que, aberta, recebia os fiéis e turistas. Agradecemos a Deus por sermos brasileiros.
Na despedida dos meus hóspedes, os convidei para voltarem no dia 1º de janeiro de 2011 para assistirem à posse da presidenta ou do novo presidente do Brasil. Prometeram voltar!
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