08.09.2010
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Yes, we can - Sim, podemos

Publicado 20.01.2009
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Nunca antes a posse presidencial americana foi tão aguardada pelo mundo. Numa época caótica, onde há guerras por todos os lados e a crise financeira internacional bate nossas portas, vê-se o antiamericanismo atingindo os maiores níveis da história, grande parte devido à guerra no Iraque e o estabelecimento de prisões ilegais por todo o globo. Em tempos assim é preciso ter esperanças, e agora está esperança tem nome e sobre nome: Barack Hussein Obama II.

É emblemático que seja exatamente um afro-americano, de sobrenome Hussein, a nossa luz no fim do túnel. Mais interessante, quando se conhece um pouco de sua história, do seu brilhante pai, o Queniano Barack Sênior e, principalmente, da sua extraordinária mãe, Ann Dunhan, nascida no Kansas, mas quando morreu era cidadã do mundo. Obama viveu na Indonésia e no Hawai. Sentiu na pele o que é ser o “patinho feio” e agora virou Cisne. Provavelmente por isso defende o diálogo com líderes que muitos consideram inimigos dos Estados Unidos.

Um dos mais importantes pensadores da atualidade, Daisaku Ikeda, há décadas, vem pregando a idéia de que o diálogo constante é o caminho da resolução dos conflitos internacionais. Mais que isso, em sua presidência da ONG Soka Gakkai Internacional, instituição voltada para paz, cultura e educação, com base no budismo de Nitiren Daishonin, fez inúmeras viagens a China, mantendo contato com as mais proeminentes personalidades desta nação.

Na ocasião, diversas vozes se levantaram contra ele, pois a história transformou China e Japão em inimigos ferrenhos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão cometeu um verdadeiro genocídio contra os chineses. Mesmo diante das ruidosas críticas, Ikeda continuou viajando e dialogando, construindo o que chama de “pontes da amizade”. Criou o intenso intercambio entre a Universidade Soka e instituições de ensino da China. Promoveu a entrega de prêmios entre personalidades destas milenares culturas. O resultado foi a derrubada de preconceitos e a aproximação entre os povos.

Outro exemplo foi o primeiro encontro com o então Primeiro Ministro da União Soviética, Mikhail Gorbachev. Ikeda foi das primeiras personalidades japonesas a serem recebidas no Kremlin no pós-guerra. Antes da reunião, conta-se que o clima era tenso, o que resultou de uma agenda rápida, de apenas 20 minutos. Porém, ao verem-se frente a frente, o líder budista fez questão de ressaltar a coragem do novo chefe supremo dos soviéticos, com suas políticas de “glasnost (transparência)” e “Perestróica (reestruturação)”. No fim, acabaram dialogando durante 40 minutos, e na saída, com toda sutileza, Ikeda contou ao líder soviético, que não havia beleza maior do que o desabrochar das flores de cerejeira, na primavera de Tóquio, convidando-o a ir assistir.

Então, pela primeira vez após 45 anos de intervalo, o Japão recebeu um Primeiro Ministro da URSS e as relações entre os países tiveram novo impulso. São “pontes da amizade” assim, que Barack Obama vai precisar construir com o presidente Sírio, Bashar al-Assad e com os líderes iranianos, Ali Khamenei e Mahmoud Ahmadinejad.

No mundo do Século XXI não é possível suporta a ignorância advinda do pensamento que somente o outro está errado. Precisamos aprender a respeitar a religião, os costumes e as tradições dos povos, sem imaginarmos que nossas crenças são superiores. Temos que lembrar quantos prejuízos sofre a humanidade, quando certo grupo se acha imbuído da única verdade existente. A inquisição, a dizimação das culturas indígenas americanas, o nazismo e tantas barbáries, que ceifaram a vida de milhões durante a história, são frutos destas idéias insanas.

Meu único alerta, é que não deixemos tudo nas mãos de Obama. Temos que exercer um papel ativo na construção desta nova sociedade. Combatermos nossos próprios preconceitos é uma forma de agir pela verdadeira mudança.

Tomara que o exemplo de Daisaku Ikeda possa inspirar Barack Obama a construir Pontes de Amizade por todo globo, criando a consciência das palavras de outro grande Presidente dos Estados Unidos, John Kennedy: "O laço essencial que nos une é que todos habitamos este pequeno planeta. Todos respiramos o mesmo ar. Todos nos preocupamos com o futuro dos nossos filhos. E todos somos mortais".

 

http//bobagensebomsenso.blogspot.com/

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